A Hiena, a Lebre e o Visco

A Hiena, a Lebre e o Visco - Histórias do mundo

Um dia, a Hiena e a Lebre combinaram ir pescar à gamboa.

A Lebre agarrou na sua gamboa e pô-la na bolanha. A Hiena agarrou na dela e pô-la no mar.

De madrugada a lebre levantou-se e for ver a gamboa. Quando lá chegou, reparou que a sua gamboa só tinha apanhado sapos.

Depois foi à gamboa da Hiena e viu que estava cheia de peixes. A Lebre voltou para trás, foi buscar os sapos à sua gamboa e pô-los na gamboa da Hiena. Depois agarrou nos peixes que estavam na gamboa da Hiena e pô-los na sua.

Feito isto foi a correr para casa. Ao passar à porta da Hiena bateu e chamou-a para que fosse ver a sua gamboa. A Hiena respondeu lá para dentro:

– Então já amanheceu?

– Claro! – respondeu a Lebre

– Então vamos — disse a Hiena.

Ao chegarem, a primeira gamboa por onde passaram foi a da Lebre. A Hiena exclamou:

– A tua gamboa está cheia de peixes. Duvido que a minha tenha apanhado tanto peixe.

Quando chegou à sua gamboa a Hiena só viu sapos — embora a gamboa estivesse no mar e a da Lebre na bolanha.

Bom… Todos os dias a Lebre apanhava peixe e a Hiena encontrava apenas sapos na sua gamboa. Os dias foram passando… até que um dia a Hiena, furiosa, voltou-se para a Lebre:

– Mas quem é que me anda aqui a fazer este trabalho?

A Lebre disse:

– Sabes o que deves fazer? Vai ao mouro.

Mal amanheceu a Hiena foi consultar o mouro. O mouro falou assim:

– Tens que ir ao visco durante um mês. Quando se completar exactamente um mês, vais pô-lo no mar. Arranjas um tronco, unta-lo bem com o visco, pões-lhe um capacete em cima e deixa-lo lá.

A Hiena assim fez. Pôs o pau com o visco no mar.

De madrugada, a Lebre levantou-se e foi ao mar. Ao chegar viu aquele vulto na gamboa da Hiena e começou a dizer:

– Parece que aquele ali anda na gamboa da tia, mas… afinal é mesmo na gamboa da tia. – Ah, então eras tu que vinhas cá todos os dias!

Claro que a Lebre não sabe do que se trata. Vira-se para o pau, aponta-lhe com o dedo, ainda sem saber que aquilo é um pau com visco. Aponta-lhe o dedo e diz:

– Olha, se não falas já, levas uma bofetada.

O pau com o visco mantém-se calado e continua de pé.

A Lebre dá-lhe uma bofetada e a mão fica-lhe colada. A Lebre continua:

– Ai prendes-me, pensas que não tenho outra mão?

Dá-lhe com a outra mão, que também fica colada.

– Está bem — diz a Lebre. Aaah! Pensas que não tenho mais nada…

A seguir dá-lhe uma grande cabeçada e grita:

– Ioooo…! – E insiste: – Julgas que já acabei?

Encosta-lhe o peito com toda a força e fica colada. Dá-lhe um pontapé, o pé fica, dá-lhe com o outro pé, também fica colado. A Lebre ficou completamente colada no visco.

Quando a Hiena chegou de manhã e viu aquilo, exclamou:

– Com que então eras tu que me fazias isto todos os dias. Agarravas no peixe, levava-lo para a tua gamboa e trazias os sapos para a minha. Finalmente apanhei-te!

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