Unidos na esperança

Unidos na esperança - Histórias de encantarNasci no sul do Sudão, onde vivia com os meus pais, os meus avós e duas irmãs, numa pequena casa feita de lama e colmo. A minha família era considerada abastada, porque o meu pai possuía muitas cabeças de gado.

Quando eu era criança, tinha medo de animais grandes.

— Sou demasiado pequeno para tomar conta de animais tão grandes! — exclamei, no dia em que o meu pai disse que teria de aprender a cuidar do gado.

Mas o meu pai sorriu e animou-me:

— Garang, sê corajoso. Tens um coração e uma cabeça fortes. Não há nada que não consigas fazer.

Quando fiz oito anos, comecei, sozinho, a tomar conta de algumas pequenas vitelas. Limpava-as, cuidava delas quando estavam doentes, conduzia-as às melhores pastagens e bebedouros. Rapidamente aprendi a amar os animais.

Mal sabia que a minha vida iria mudar completamente.

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Um dia, quando estava a apascentar os animais longe de casa, a minha aldeia foi atacada. De onde estava, conseguia ouvir disparos e ver clarões. Vi um avião desenhar círculos no céu e levantarem-se nuvens de poeira, enquanto choviam balas sobre o meu rebanho. Muitos dos animais foram mortos e outros fugiram com medo. Embora tivesse a garganta e os olhos cheios de pó, consegui encontrar o caminho para a floresta, onde me escondi à sombra das árvores.

Assim que a tempestade de balas cessou, corri de volta para a aldeia para encontrar a minha família, mas não vi ninguém. Havia casas a arder e estava tudo destruído! Quando me pus a vaguear pela estrada, logo vi outros rapazes que também não conseguiam encontrar as famílias. Começámos a procurá-las juntos. À medida que caminhávamos, mais rapazes se associavam a nós.

No início, era apenas eu. Um. Em breve, um tornaram-se muitos. Demasiados para poderem ser contados. Antes de a guerra chegar, eu nunca tinha visto tanta gente junta num só local. A minha aldeia tinha apenas cem pessoas. Agora, fazia parte de uma aldeia em movimento com milhares de rapazes que, tal como eu, se encontravam a tomar conta do gado quando a guerra chegou. Os adultos e as raparigas tinham ficado para trás.Unidos na esperança - Histórias de encantar

Alguns dos rapazes só tinham cinco anos de idade. Os mais velhos não passavam dos quinze. Éramos crianças habituadas a que cuidassem de nós. Sem os nossos pais, estávamos perdidos. Teríamos de aprender a cuidar uns dos outros.

Os rapazes mais velhos decidiram reunir-se.

— Temos de colaborar uns com os outros para poder sobreviver — disse um. — Vamos formar grupos e escolher um líder para cada um deles.

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Quando alguém chamou “Garang Deng!”, eu soube que tinha sido escolhido para liderar um grupo de trinta e cinco rapazes. Senti-me orgulhoso e, ao mesmo tempo, assustado. Sabia tomar conta de animais, não de rapazes; contudo, não queria que o meu medo me impedisse de ajudar os meus irmãos. Foi então que recordei as palavras do meu pai: “Garang, sê corajoso. Tens um coração e uma cabeça fortes. Não há nada que não consigas fazer.”

Juntei-me ao grupo de chefes e decidimos caminhar em direção à Etiópia. Antes de a guerra atingir as nossas aldeias, muitos de nós tinham ouvido os anciãos falar da Etiópia como um lugar onde as pessoas abrigariam os sudaneses que fugissem da guerra. Alguns dos rapazes mais velhos sabiam que, para lá chegar, tínhamos de viajar para leste. Era uma viagem longa e perigosa, mas era também a nossa única esperança.

Unidos na esperança - Histórias de encantarResolvemos caminhar de noite e dormir na floresta de dia, para evitar os soldados e o calor tórrido do sol. Muitos diziam que era demasiado perigoso caminhar durante a noite, devido aos animais que andavam à caça. Depois de uma longa discussão, concluímos que os soldados e os aviões eram mais perigosos do que os animais. Decidimos também que os rapazes mais velhos tomariam conta dos rapazes mais novos que não conseguissem sobreviver sozinhos. Escolhi um pequenito do meu grupo chamado Chuti Bol. Só tinha cinco anos e estava sempre a chorar pela mãe.

Na noite seguinte, encontrámos a estrada para a Etiópia. Ficámos contentes por ter uma lua cheia e brilhante a guiar-nos, embora fosse ainda muito escuro. Para nos assegurarmos de que não perderíamos ninguém, cada um dava a mão ao rapaz que ia à sua frente. O Chuti era demasiado pequeno para grandes caminhadas e, por isso, carregava-o com frequência às minhas costas. Todos sentiam cansaço e fome, mas ninguém se queixava.

Unidos na esperança - Histórias de encantarHavia alguns rapazes no meu grupo que sabiam encontrar frutos silvestres comestíveis e outros que sabiam caçar aves selvagens. Havia dias em que tínhamos comida para partilhar, embora quase sempre não encontrássemos nada para comer. Muitas vezes, comíamos apenas folhas e cascas de árvores. Encontrar comida, porém, não era o nosso único problema. O tempo quente e seco causava-nos muita sede: por vezes tínhamos de beber a própria urina para mantermos o corpo hidratado e alturas houve em que ficámos muito doentes. Por isso, descansávamos com frequência para que os rapazes mais novos pudessem acompanhar-nos.

Fazíamos muitas coisas para nos ajudar a esquecer a fome e as dores do corpo. Jogávamos alguns jogos e contávamos histórias. Também fazíamos figuras de animais com lama. Sobretudo animais de que tínhamos tomado conta. O Chuti ficou tão impressionado com o que lhe contei das minhas vitelinhas que insistiu que lhe esculpisse uma manada só para ele. Fiquei contente por ele gostar dos animais, embora fossem apenas feitos de lama.

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Uma noite, enquanto caminhávamos pela estrada, ouvi o Chuti a chorar. Peguei nele ao colo e perguntei-lhe o que se passava.

— Tenho medo de que me abandones, tal como os meus pais fizeram — soluçou.

— Chuti, os teus pais não queriam deixar-te. Gostavam muito de ti. Perderam-te quando chegou a guerra. Mas não te preocupes, porque eu vou tomar conta de ti. O dia está a nascer e temos de encontrar um lugar à sombra para dormir. Precisamos de ter força para atravessar a fronteira com a Etiópia.

Deitei-o debaixo de uma árvore. O choro tinha-o cansado e adormeceu imediatamente. Deitado junto dele, pensava nos meus próprios pais e nas saudades que sentia deles.

Entrámos na Etiópia na noite seguinte. Todos os membros do meu grupo fizeram a travessia e senti-me orgulhoso. Houve grupos que não tiveram tanta sorte, porque muitos rapazes tinham morrido pelo caminho. As primeiras pessoas que encontrámos foram algumas mulheres a lavar roupa num rio. Ficaram surpreendidas por ver tantos rapazes sozinhos e assustados.

Unidos na esperança - Histórias de encantar— Quem são estes rapazes perdidos? — perguntou uma anciã.

— Estamos a fugir da guerra — respondeu um dos nossos chefes.

— Têm um ar faminto e doente — comentou outra mulher. — Vamos mostrar-vos o caminho para o campo de refugiados.

— O que é um campo de refugiados? — perguntei.

As mulheres, afáveis, disseram-nos que um campo de refugiados é um local para pessoas cujo país não é seguro.

Depois pararam de lavar e conduziram-nos até à estrada que levava ao campo.

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Uma vez lá, conhecemos um homem chamado Tom, oriundo dos Estados Unidos, que se dedicava a ajudar refugiados como nós.

— Farei tudo ao meu alcance para vos dar comida e abrigo — disse Tom.

E assim fez. Pela primeira vez em muito tempo pudemos comer todos os dias. Não que fosse muito (apenas lentilhas e farinha), mas, após meses de escassez quase total, estes alimentos pareciam um festim. Depois, deram-nos ferramentas para construirmos os nossos próprios abrigos de lama e colmo, que me pareceram autênticos palácios!

Unidos na esperança - Histórias de encantarTambém tivemos a sorte de poder ir à escola. No início, não queríamos ter aulas. Só brincar e esquecer os tempos difíceis que tínhamos vivido. Os adultos tentaram subornar-nos com bolachas mas, mesmo assim, muitos rapazes não quiseram frequentar as aulas. Os adultos ficaram aborrecidos.

Certo dia, uma professora veio visitar-me.

— Garang, tens de te certificar de que o teu grupo vem todos os dias às aulas. A educação é muito importante e pode funcionar como um pai e uma mãe para vocês. É ela que, um dia, falará por vós, quando os vossos pais não puderem.

As palavras da professora recordaram-me o quanto eu sentia a falta dos meus pais. Então, decidi ir à escola para honrar a sua memória e para sentir que continuavam junto de mim. E o meu grupo também começou a frequentar as aulas, mesmo sem bolachas.

A minha disciplina favorita era o Inglês. Como não tínhamos lápis e papel, eu escrevia os exercícios no pó com um pau. Também aprendemos a rezar e passámos a frequentar a igreja ao fim de semana. A fé dava-nos esperança e força. Começámos a dizer às pessoas “Não estou perdido. Deus sabe onde estou.”

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Quando tudo parecia correr-nos bem, ouvimos dizer que a guerra regressara. Vimos os clarões à distância e ouvimos os estrondos que os acompanhavam. Houve alterações no campo. Muitas pessoas partiram e a comida começou a escassear. O povo da Etiópia pegou em armas e a guerra enviou-nos de volta para a fronteira com o Sudão! Era a estação das chuvas e o enorme Rio Gilo transbordava de água, o que nos impedia de passar para o Sudão, que ficava do outro lado. Juntámo-nos todos na margem, mas muitos rapazes tinham medo de fazer a travessia. A corrente era forte e a água rugia como um leão irado. Pedi ao meu grupo que se mantivesse junto e que ajudasse os que estavam doentes ou que não eram bons nadadores.

Unidos na esperança - Histórias de encantarAo fugir do campo, eu tinha trazido todos os meus livros comigo. Agora, ali, na margem do rio, decidi que não os deixaria para trás. Eram o meu futuro, a minha mãe e o meu pai. Atei-os em torno da cinta, agarrei no Chuti e saltei para dentro do rio. Sentia tanto medo que nem sequer me lembro de estar dentro da água. Só me recordo de me arrastar com o Chuti para a margem oposta. Certifiquei-me de que ele estava bem e esperei, ansioso, pelo resto do grupo. À medida que os rapazes iam saindo do rio, eu rezava e contava: Um . . . 12 . . .22 . . . 27 . . . 31 . . . 35!

Todo o nosso grupo efetuou a travessia!

Pedimos a Deus que tomasse conta das almas dos irmãos que tínhamos perdido nas águas. Também Lhe agradecemos a nossa vida e rezámos por uma viagem segura.

Mais tarde, enquanto nos preparávamos para dormir, vimos muitos camiões grandes aproximarem-se. Deslocavam-se com velocidade e os pneus lançavam no ar enormes nuvens de pó. Corremos a esconder-nos com medo de que houvesse soldados dentro dos camiões. À medida que os camiões se aproximavam, o meu coração começou a bater com tanta força que deixei de ouvir tudo o resto. Aninhei-me junto do meu grupo, cobri a cara com as mãos e aguardei.

Unidos na esperança - Histórias de encantarApós alguns minutos, ganhei coragem, fui espreitar por entre as árvores e vi um dos condutores. Então exclamei:

— Podemos sair! Podemos sair! O Tom veio salvar-nos!

Muitos dos rapazes saíram a correr da floresta e, em breve, os camiões estavam rodeados de gente. Todos queriam ser levados para um lugar seguro.

O Tom desculpou-se:

— Não podemos levar-vos todos, porque não há espaço. Por agora, vamos levar apenas os mais pequenos e os que estão demasiado doentes para caminhar. Os restantes têm de continuar a pé até ao Quénia. Vamos mostrar-vos o trajeto. Os melhores dias estão para vir.

O meu grupo decidiu que o Chuti devia ir no camião e que os restantes caminhariam até ao Quénia. O Chuti chorou quando o pus no camião.

— Vais abandonar-me! — gritou.

— Não, Chuti, não vou. Vou mandar-te para um lugar seguro. Iremos ter contigo em breve. Sê forte!

À medida que os camiões se iam afastando, víamos o Chuti a chorar por detrás da janela. Ficámos tristes por o ver assim, mas contentes por saber que iam tomar conta dele até nos reunirmos no Quénia. Juntámo-nos aos outros grupos na estrada. Alguns troços do trajeto estavam bem assinalados, outros não. Certificámo-nos de que os grupos seguintes veriam bem as marcas que íamos deixando.

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Após várias semanas, chegámos ao Quénia, a um campo de refugiados chamado Kakuma. Havia milhares de pessoas nesse campo, mas eu estava decidido a encontrar o Chuti. Perguntei a rapazes de outros grupos se o tinham visto e um dos líderes disse–me que o Tom estava a tomar conta dele. Indicaram-me a casa dele e encontrei o Chuti a comer rebuçados e a fazer um desenho. Mal me viu, correu para mim e saltou para os meus braços. Quando agradeci ao Tom por ter cuidado tão bem do Chuti, ele disse que precisava da minha ajuda.

— Embora estejam seguros por agora, a minha tarefa ainda não terminou. A guerra no Sudão continua e vocês precisam de encontrar um espaço a que possam chamar lar.

— O que posso fazer? — perguntei.

— Tens de contar-me a tua história, o que aconteceu desde que a guerra chegou ao teu país. A tua história pode impedir que haja mais crianças perdidas e pode ajudar a encontrar um lar para ti e para os teus irmãos. As tuas palavras vão comover pessoas e suscitar ajudas.

Partilhei então a minha história com o Tom. Falei durante um dia e uma noite inteiros. Em seguida, chorámos e rezámos. Depois de contar a minha história, a tempestade da guerra já não me parecia tão assustadora e o seu ruído tornou-se menos audível. Alguns dias após a nossa conversa, o Tom saiu do campo. A sua partida trouxe mudanças. Unidos na esperança - Histórias de encantarA vida no Quénia tornou-se muito dura: não havia comida suficiente, as pessoas adoeciam com frequência e muitas morreram. Alguns dos rapazes do meu grupo ficaram tão fracos devido à escassez de alimentos que deixaram de poder ir às aulas. Então, pensámos numa maneira de todos obterem comida e instrução. Começámos a procurar comida e a ir às aulas, por turnos. À noite, partilhávamos a comida e as lições. Assim, conseguimos alimentar o corpo e a mente. À  medida  que  ia  ficando  mais  velho,  ia  tentando melhorar as condições de vida no campo. Ajudei a formar um grupo de teatro e outro de futebol, para termos coisas engraçadas para fazer. Também ensinei os rapazes a ferver a água suja antes de a beber e transmiti-lhes outros cuidados a ter com a saúde.

O Chuti também estava a crescer. Continuei a tomar conta dele e ele ajudava-me no meu trabalho. Era um rapaz muito esperto e dava muitas vezes explicações de Matemática e Inglês aos outros rapazes. Tornei-me um homem com responsabilidades, o que me fez sentir bem. Mas, apesar de todos os meus esforços, a nossa vida continuou a ser uma luta diária pela sobrevivência. O meu futuro e o do Chuti preocupavam-me muitas vezes.

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Eu tinha 21 anos quando o Tom regressou a Kakuma. Quando o fui cumprimentar, quase não o reconheci: tinha o cabelo todo cinzento. Abracei-o com força.

— O Tom mudou — disse-lhe. Ele riu-se.

— Mudei pois. Agora sou um homem velho e tu és um homem novo.

— Por onde tem andado? Esqueceu-se de nós? — quis eu saber.

— Não te esqueci, Garang. As tuas palavras têm-me acompanhado e tenho-as partilhado com pessoas de muitos países. Os Estados Unidos oferecem um lar a ti e aos teus irmãos.

O Tom convocou uma reunião e falou-nos dos

Estados Unidos. Disse que viriam pessoas ensinar-nos coisas sobre o país, a fim de nos prepararmos para a viagem.

Lembrei-me de os nossos professores na Etiópia nos dizerem que os Estados Unidos ficavam muito longe e que a vida lá era muito diferente. Fiquei contente por saber que os meus irmãos e eu teríamos um novo lugar para viver, mas também senti medo. Perguntava-me se as pessoas aceitariam um rapaz perdido, sem nada de seu exceto alguns livros escolares já gastos.

Pensei que seria melhor ficar em Kakuma.

Fui até à floresta para estar sozinho e pensar no que o Tom nos tinha dito. Também recordei as palavras do meu pai. “Tens um coração e uma cabeça fortes. Não há nada que não consigas fazer.” Quando ouvi estas palavras pela primeira vez, não as compreendi.

Agora sabia que eram verdadeiras.

O meu coração era forte devido à minha fé e ao amor dos meus irmãos, e a minha cabeça estava cheia da sabedoria dos livros e das muitas mudanças da minha vida. Já não tinha medo. Sabia que iria encontrar a força necessária para começar uma vida nova.

Havia de encontrar um futuro novo.

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POSFÁCIO

A jornada dos Rapazes Perdidos levou-os por caminhos perigosos através de desertos, montanhas e rios. Milhares de rapazes morreram devido a violência, fome e doenças. Os que sobreviveram conseguiram chegar a campos de refugiados, onde ficaram durante anos a viver em condições duríssimas, subsistindo muitas vezes com apenas uma refeição por dia ou nem sequer isso.

Em 2000, os Estados Unidos iniciaram a reinserção de cerca de 3.800 Rapazes Perdidos. Estes jovens, na casa dos vinte, começaram uma vida nova em várias cidades, desde Atlanta, no estado da Geórgia, até Fargo, no Dakota do Norte. Muitos deles nunca tinham vivido com água corrente, eletricidade, carros, ou conhecido formas modernas de cozinhar. Voluntários americanos ajudaram–nos no processo difícil de adaptação ao meio circundante e às regras básicas da vida num país desenvolvido.

Embora muitos deles tenham feito enormes progressos nos seus primeiros anos de vida, a sua adaptação cultural continua a ser um desafio. Mas, apesar dos inúmeros reptos que enfrentam nos Estados Unidos, os Rapazes Perdidos mantêm-se firmes na sua fé e na confiança de que a sua educação e coragem poderão, um dia, levar a paz e a renovação ao seu país devastado pela guerra.

Mary Williams

Brothers in hope – The story of the lost boys of Sudan

New York, LEE & LOW Books Inc., 2010 (Tradução e adaptação)

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