Uma semente

Era uma vez uma Semente que o vento sacudia sobre a planície deserta. A semente rodopiava e voava por entre vento e areia, que se alternavam a enviá-la em direções opostas.

Certo dia, a Semente decidiu instalar-se e crescer. Como tal nunca antes acontecera no deserto, as sementes que iam passando por ela exclamavam:

−Nunca ninguém o fez!

−É impossível!

−Nem penses nisso!

−Não podes fazer isso!

−Posso sim! – afirmava a Semente, confiante.Uma semente - Contos Infantis

Não prestando, pois, muita atenção ao que as outras sementes iam dizendo, a Semente escolheu o lugar onde haveria de morar. Abriu as suas casquinhas, deixou sair um pequeno rebento e lançou à terra uma minúscula raiz.

O vento continuava a soprar e a areia não parava de rodopiar. Contudo, o rebento em breve se ergueu acima da superfície arenosa. Era verde e tinha uns pequenos espinhos no topo. Quanto à raiz, foi crescendo e tornando-se cada dia mais forte. O vento continuava a soprar, a areia não parava de rodopiar e as sementes que por ali passavam continuavam a dizer:

−Nunca ninguém o fez!

−É impossível!

−Não vais sobreviver!

−Não vais poder crescer!

−Vou sim! – afirmava a Semente, confiante.

O rebento foi crescendo cada vez mais até que se transformou numa árvore, que se erguia majestosa sobre a areia dourada e sob o céu brilhante e azul.Uma semente - Contos Infantis

Todas as sementes que ali passavam continuavam a exclamar, por entre espanto e admiração:

−Não vais durar muito! −Vais ver o que te acontece! −Vais acabar por tombar! −Não vais durar muito!

−Vou pois! − afirmava a Semente, confiante.Uma semente - Contos Infantis

Os anos foram passando e a árvore foi ficando cada vez maior e mais forte.

Um dia, começou a deixar cair sementes no solo. Em breve estas sementes se abriram ao céu e pequenas raízes foram ganhando força dentro da areia. Não demorou muito até que surgissem várias árvores pequenas em redor da grande árvore.

Entretanto, as raízes desta tinham crescido tanto que haviam encontrado água, que agora assomava à superfície do deserto. Em breve a areia estava suficientemente húmida para que a relva pudesse brotar. Quando algumas das árvores tinham já crescido o suficiente, a água inundou de tal forma a superfície que formou uma maravilhosa lagoa, fresca e azul.

A novidade depressa se espalhou por toda a parte, levada pelo vento, e pequenas aves e insetos vieram ver o magnífico lugar, onde decidiram permanecer. As muitas e variadas espécies de sementes que trouxeram consigo cedo se transformaram em belas plantas e flores.

Um dia, uns viajantes cansados percorriam o deserto quando avistaram este lugar mágico. Conduziram os camelos até à lagoa e sentaram-se a descansar à sombra das árvores, saboreando a água fresca da nascente. Alguns dias volvidos, já retemperados, decidiram reiniciar a sua viagem pelo deserto.Uma semente - Contos Infantis

Sem saber, levavam sementes que tinham caído das árvores nas suas roupas enquanto repousavam. À medida que atravessavam as areias infinitas, as sementes iam caindo das roupas na areia, onde ganharam raízes e se transformaram, mais tarde, em árvores.Uma semente - Contos Infantis

Da próxima vez que estiveres à procura de sombra, e que a encontres debaixo de uma árvore, lembra-te de que foi a esperança de uma pequena e corajosa semente que a levou a desafiar a desconfiança de muitas outras sementes que diziam que ela nunca cresceria e que o que ela desejava era impossível…

Rosemary Phillips

One Seed

Quills Quotes & Notes, 2002

(Tradução e adaptação)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *