Um jarro de água

Se continuarmos a usar a Terra descuidadamente e sem a revitalizarmos, seremos só consumidores ávidos. Deveríamos retirar dela apenas o necessário para as nossas necessidades básicas e absolutas: coisas sem as quais não podemos sobreviver. A Terra tem abundância de tudo, mas a nossa parte é apenas o que realmente necessitamos.Um jarro de água - Histórias de encantar

Há uma história que ilustra isto.

O Mahatma Gandhi estava a residir com o primeiro-ministro indiano, o senhor Nehru, na cidade de Allahabad. Uma manhã, Gandhi lavava a cara e as mãos. O senhor Nehru deitava a água de um jarro enquanto conversavam sobre os problema das Índia. Como estavam profundamente envolvidos numa séria discussão, Gandhi esqueceu-se de que se estava a lavar; antes de acabar de lavar o rosto, o jarro esvaziara-se. Então o senhor Nehru disse: “Só um momento, vou buscar-lhe outro jarro de água.” Gandhi respondeu: “O quê? Quer dizer que eu gastei um jarro de água inteiro e nem sequer acabei de lavar a cara? Que desperdício! Eu só uso um jarro de água em cada manhã.”

Calou-se; as lágrimas corriam-lhe pelas faces. O senhor Nehru ficou impressionado.

“Porque chora, o que aconteceu, porque está preocupado com a água? Nesta minha cidade de Allahabad há três grandes rios, o Ganges, o Jumenar e o Saraswati, não precisa de se preocupar com a água aqui!”

“Nehru, tem razão, tem três grandes rios na sua cidade, mas a minha parte desses rios é apenas um jarro de água todas as manhãs”, respondeu-lhe Gandhi.

Satish Kumar

Jonathon Porrit

Salvemos a Terra

Livraria Civilização Editora, 1992

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