O Relógio do senhor Túlio

O Relógio do senhor Túlio - Histórias de encantar

Ao senhor Túlio sempre lhe fizera espécie como é que os relógios trabalhavam incansavelmente e nunca paravam.

– Dá-se-lhes corda e eles andam – explicavam ao senhor Túlio, que tinha um relógio dos antigos, muito anterior aos relógios de pilhas.

Mas o senhor Túlio não acreditava. Devia haver outro mistério.

Um dia, o relógio dele parou, por mais corda que lhe desse. Quando o senhor Túlio foi levá-lo a arranjar à oficina de relojoaria, ficou maravilhado a olhar para o maquinismo do seu querido relógio, que o relojoeiro destapara.

– Tantas rodinhas. Nunca pensei – admirou-se ele.

Mas mais espantado ficou quando o relojoeiro, com um pinça, tirou uma formiga já morta, que tinha encrencado o mecanismo.

– Pronto. O desarranjo estava aqui – explicou o relojoeiro, voltando a fechar a tampa do relógio.

O senhor Túlio estranhou:

– E não põe lá uma formiga nova?

– Para quê?

– Para fazer as vezes da que morreu. Como é que o relógio pode trabalhar sem maquinista?

E se o senhor Túlio tivesse razão e fosse mesmo à conta das formigas que os relógios conseguem trabalhar? É uma ideia como outra qualquer e bastante divertida. Até dava outra história.

António Torrado

Ilustrações: Cristina Malaquias

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