A primeira pérola

A primeira pérola - Histórias de encantar

Acreditava-se na Índia que as pérolas eram oferenda dos deuses.

Prendas raras são elas, porque entre milhares de ostras, presas às rochas do fundo do mar, só umas poucas fabricam estas esferazinhas cor de cera, mas tão luminosas como se tivesse cada uma delas, escondido no seu interior, um ponto de luz aceso.

A pérola desenvolve-se quando um minúsculo parasita se introduz dentro da concha. Para se defender do intruso, a ostra segrega uma espécie de cera que envolve e neutraliza o incómodo visitante. Este líquido gelatinoso vai solidificando, ao longo de muito tempo, ganhando novas camadas, como um casulo de bicho-da-seda, mas rijo, maciço, impenetrável.

Quando o pescador de pérolas, no fim de muitos mergulhos, descobre uma ostra perolífera, mete a pérola debaixo da língua e nada para terra.

Aí chegado, ajoelha-se na praia e agradece aos deuses a sua sorte.

Conta-se, no Oriente, que a primeira de todas as pérolas nasceu no dia em que pela primeira vez choveu sobre o mar.

A gota de chuva desprendeu-se das nuvens para ser engolida pelas ondas. Pequenina e triste, suspirou:

– Tão insignificante que eu sou nesta imensidão. Respondeu-lhe o mar:

– A tua extrema modéstia enternece-me. Vou fazer de ti, gotinha de água, uma gota de luz. Tu serás a jóia mais pura entre as jóias. Reinarás no mundo e reinarás sobre a mulher, a quem acrescentarás felicidade e beleza.

É uma lenda, mas apetece acreditar que tudo se passou assim.

Acreditava-se na Índia que as pérolas eram oferenda dos deuses.

Prendas raras são elas, porque entre milhares de ostras, presas às rochas do fundo do mar, só umas poucas fabricam estas esferazinhas cor de cera, mas tão luminosas como se tivesse cada uma delas, escondido no seu interior, um ponto de luz aceso.

A pérola desenvolve-se quando um minúsculo parasita se introduz dentro da concha. Para se defender do intruso, a ostra segrega uma espécie de cera que envolve e neutraliza o incómodo visitante. Este líquido gelatinoso vai solidificando, ao longo de muito tempo, ganhando novas camadas, como um casulo de bicho-da-seda, mas rijo, maciço, impenetrável.

Quando o pescador de pérolas, no fim de muitos mergulhos, descobre uma ostra perolífera, mete a pérola debaixo da língua e nada para terra.

Aí chegado, ajoelha-se na praia e agradece aos deuses a sua sorte.

Conta-se, no Oriente, que a primeira de todas as pérolas nasceu no dia em que pela primeira vez choveu sobre o mar.

A gota de chuva desprendeu-se das nuvens para ser engolida pelas ondas. Pequenina e triste, suspirou:

– Tão insignificante que eu sou nesta imensidão. Respondeu-lhe o mar:

– A tua extrema modéstia enternece-me. Vou fazer de ti, gotinha de água, uma gota de luz. Tu serás a jóia mais pura entre as jóias. Reinarás no mundo e reinarás sobre a mulher, a quem acrescentarás felicidade e beleza.

É uma lenda, mas apetece acreditar que tudo se passou assim.

António Torrado

Ilustrações: Cristina Malaquias

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