Henrique

Henrique - Histórias de encantarEra uma vez um principezinho. Como todos os príncipes, vivia num palácio no meio de um imenso parque. Chamava-se Henrique.

Henrique era um príncipe muito mimado. Qualquer coisa que desejasse era-lhe dada. Apesar disso, não era feliz. Nunca ria nem chorava.

Os pais, o rei e a rainha, andavam preocupados com ele.

— O que é que te falta? Henrique respondia:

— Tenho todos os brinquedos do mundo mas o que me falta é um balão a sério.

— Se é só isso… — disseram o rei e a rainha. E ofereceram ao príncipe um balão a sério.

Henrique passou o dia todo com o balão. Encheu-o de ar quente e passeou por cima do palácio como um pássaro.

Mas não se riu nem chorou. Tudo continuou como dantes. O rei e a rainha ficaram preocupados.

— O que te falta?

— Tenho todos os brinquedos do mundo e tenho um balão a sério. O que ainda me falta é um leão numa jaula.

— Se é só isso… — responderam o rei e a rainha. E ofereceram ao principezinho um leão dentro de uma jaula.

Henrique passou o dia todo com o leão. Tentou ensiná-lo com uma vara e deu-lhe carne através das grades.

Mas não se riu nem chorou uma única vez. Tudo continuou como dantes. O rei e a rainha ficaram preocupados.

— Mas o que é que tens? — perguntaram. Henrique respondeu:

— Tenho todos os brinquedos do mundo, tenho um balão e um leão numa jaula. O que ainda me falta é um batalhão de soldados a sério.

— Se é só isso… — responderam o rei e a rainha. E ofereceram ao pequeno príncipe um batalhão de soldados. Durante um dia inteiro, Henrique fez exercícios de guerra, marchou, cavalgou para a frente e para trás com os soldados.

Mas nunca se riu nem chorou. Tudo continuou como dantes.

Certo dia, o príncipe encontrou um rapazinho. Era o filho do jardineiro do palácio. Estava sentado à porta de casa e brincava com um coelhinho. Tinha-o aninhado nos braços, fazia-lhe festas e dava-lhe cenouras.

O principezinho observou os dois e pensou:

“Tenho todos os brinquedos do mundo, tenho um balão, um leão numa jaula e um batalhão de soldados. O que me falta é um coelho que se aconchegue nos meus braços e ao qual eu possa fazer festas e dar cenouras.”

— Dá-me o teu coelho — disse Henrique ao rapazinho.

— Não — respondeu-lhe ele. — Não posso dar-te o coelho.

— Tenho todos os brinquedos do mundo, tenho um balão de ar, um leão numa jaula e um batalhão de soldados. O que ainda me falta é um coelho.

— Se é só isso… — responderam o rei e a rainha. E deram um coelho de prenda ao principezinho.

O príncipe passou o dia todo com o coelho. Andou com ele ao colo, fez-lhe festas e deu-lhe cenouras a comer. Mas não riu nem chorou. Tudo continuou como dantes.

“O que me falta”, pensou ele, “não é um coelho qualquer. É o coelho do filho do jardineiro.”

Atravessou o parque a correr e disse ao filho do jardineiro:

— Dá-me o teu coelho. Eu dou-te os meus brinquedos todos.

— Não — disse-lhe o rapazinho.

— Dá-me o teu coelho — voltou a pedir o príncipe. — Dou-te os meus brinquedos todos e ainda um balão de ar e um leão dentro de uma jaula.

— Não — respondeu o rapazinho.

— Dá-me o teu coelho — pediu o príncipe pela última vez. — Dou-te os meus brinquedos todos, mais um balão de ar, um leão numa jaula e ainda um batalhão de soldados.

— Não — respondeu o rapazinho.

Então Henrique ficou triste e, pela primeira vez, começou a chorar.

O filho do jardineiro assustou-se e disse-lhe:

— Não posso dar-te o coelho porque gosto dele, mas podemos brincar os dois com ele.

Brincaram o dia inteiro com o coelho e sentiram-se ambos felizes, o príncipe e o filho do jardineiro.

O rei e a rainha ficaram admirados com o principezinho.

— O que é que tens? — perguntaram-lhe.

Henrique reflectiu durante algum tempo e por fim respondeu:

— O que me falta não são brinquedos, não é um balão de ar, nem um leão numa jaula, nem um batalhão de soldados ou um coelho. O que me falta é um amigo com quem brincar.

O rei e a rainha entristeceram.

— Um amigo é coisa que não te podemos oferecer. Tens de ser tu a procurar.

— Já encontrei um — disse o principezinho. E, pela primeira vez, riu com alegria.

Max Bolliger

S Risefäscht

Aarau, AT Verlag, 1990

Tradução e adaptação

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.