Dá-me um abraço

Numa das pontas, Piquinhos, o porco-espinho, era tão eriçado como uma escova de esfregar. Na outra, era tão espinhoso como uma agulha.Dá-me um abraço - Histórias de encantar

O que o Piquinhos mais queria no mundo era ser abraçado.

Mas, mesmo quando pedia de forma delicada, ninguém lhe dava um abraço.

— Não, és demasiado espinhoso! — diziam as pessoas. Ele via muitos abraços na cidade.

— Por favor, também posso receber um? — perguntava ele.

— Xô! Sai daqui! — diziam todos.

— És demasiado espinhoso!

Ele via muitos abraços no parque.

— Também posso ter um, só um pequenino? — perguntava ele sempre muito simpático.

— Claro que não! — respondiam todos. — És demasiado espinhoso!

Ele via muitos abraços no jogo de futebol.

— Também posso ter um? — pedia ele.Dá-me um abraço - Histórias de encantar

Os jogadores limitavam-se a rir-se dele.

— Oh, por favor, por favor, por favor, eu quero um abraço — chorava ele.

Mas ninguém lhe dava um abraço, por causa dos seus espinhos.

Ele via muitos abraços na estação de comboios.

— Posso, por favor, receber um abraço pequenino? — pedia ele.Dá-me um abraço - Histórias de encantar

— Oooooh não! — diziam todos. — Não com esses espinhos!

Ele via muitos abraços no hospital.

— Podia, por favor, ser simpático e dar-me um abraço também? — pedia ele.

— O quê?! — gritaram todos os pacientes. — És demasiado perigoso, com esses espinhos todos… Vai embora!

O pobre Piquinhos já não sabia o que fazer…

Agarrou-se à perna de uma pessoa…

— Oh, por favor, não pode dar-me um abracinho pequenino? — pedia ele.

— Não, não, não! Os teus espinhos são demasiados espinhosos! — respondeu o homem.

— Por favor, larga a minha perna!

O Piquinhos sentia-se muito triste, e perguntava-se se alguma vez conseguiria receber um abraço.Dá-me um abraço - Histórias de encantar

Nesse momento ouviu a coisa mais estranha…

— Oh, ninguém me dá um beijinho? Só um beijinho pequenino, não peço mais nada! Era o crocodilo Bocarra a pedir um beijinho a toda a gente!

— Oh, não, és demasiado feio! — diziam as pessoas, e ninguém lhe dava um beijinho.

— Eu dou-te um beijinho! — disse o Piquinhos. O Bocarra nem podia acreditar!

— Oh, eu podia abraçar-te só por esse beijinho! — gritou o Bocarra, muito excitado. Agarrou o Piquinhos nos seus braços e deu-lhe o maior abraço de sempre!Dá-me um abraço - Histórias de encantar

— Oh, obrigado! — gritou o Piquinhos, muito feliz.

E, em troca, deu um grande beijinho ao Bocarra!Dá-me um abraço - Histórias de encantar

John A. Rowe

Dá-me um abraço

Porto, Ambar, 2007

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