O avô está com vergonha

Ontem, o avô estava terrivelmente zangado.

Por isso, hoje, Lara aproxima-se dele com muito cuidado, e pergunta:

— Avô, ontem estavas zangado? O avô pensa e responde:O avô esta com vergonha - Histórias de encantar

— É verdade. E quando estamos zangados é que notamos como somos diferentes dos outros. Se estás zangada, é porque alguém ou alguma coisa te contrariou.

Lara olha para o avô. Não percebe o que ele quer dizer.

— Ontem não arrumaste o Jogo do Assalto. E eu zanguei-me. Eu gosto das coisas sempre arrumadas.

Lara acena com a cabeça. Isso já entende.

— Eu queria dizer-te: muda. Faz de maneira diferente. Mas estava tão zangado, que perdi o autodomínio. Era como uma tempestade dentro de mim, que rugia de dentro para fora, e tão alto, que eu não conseguia ouvir mais nada. Rugia tanto, que eu tive de gritar.

Lara interrompe-o e pergunta:

— Foi por isso que gritaste tão alto?

O avô parece envergonhado. Depois acena com a cabeça em sinal afirmativo e diz:

— Exato, foi por causa da raiva que tinha cá dentro. Eu não só estava furioso como também desesperado. Pensei que ninguém ia ouvir-me e foi por isso que comecei a ralhar e a gritar. Mas isso não é bom.

Lara é da mesma opinião e pergunta:

— Então, o que é que se deve fazer?

— Bem — diz o avô — essa é uma boa pergunta.

O avô compõe os óculos, coça a cabeça, e depois diz:

— Na verdade, uma pessoa devia acalmar-se e conter a fúria dentro de si, de forma a que ela não se solte. E, em seguida, dizer à outra pessoa “Olha, não gosto do que estás a fazer. Não acho bem. Podes, por favor, fazer de outra maneira?”

— Ah — diz Lara. — Vamos treinar?

— É uma boa ideia — diz o avô. — Mas, primeiro, um gelado para cada um. De certeza que, assim, conseguimos dominar melhor a nossa ira da próxima vez.

— De certeza — diz Lara. — E basta dizer “Olha, não gosto do que estás a fazer. Quero que faças assim.” E, se conseguirmos, há um gelado para cada um!

Lara olha, a sorrir, para o avô, e ele devolve-lhe o sorriso.

Elisabeth Zöller; Brigitte Kolloch

Ich bin ganz schön wütend!

Hamburg, Verlag Heinrich Ellermann, 2006

(Tradução e adaptação)

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