Uma árvore pequena mas resistente

Uma árvore pequena mas resistente - Contos Infantis

À entrada do bosque erguia-se um enorme e velho carvalho.

No outono, o sol brilhava, a chuva caía e o vento soprava levemente.

Certo dia, uma bolota soltou-se de um ramo e caiu no chão. Um esquilo, vindo do bosque, viu a bolota. Já tinha comido bastante naquele dia, por isso apanhou-a e levou-a para o campo onde a enterrou, guardando-a para o inverno.

Chegou então o inverno.

Por vezes o sol brilhava, mas quase sempre a chuva caía e o vento soprava. A geada dançava de manhã cedo e espalhava, como que por magia, uma fina camada de neve pelo campo.

O esquilo escavou à procura de nozes e bolotas, Mas a bolota do velho carvalho estava bem escondida na terra.

E depois chegou a primavera.

Uma árvore pequena mas resistente - Contos InfantisO sol brilhava, a chuva caía e, por vezes, o vento soprava.

Na bolota surgiu uma pequena fenda. E logo um pequeno rebento assomou, ao mesmo tempo que uma pequena raiz se entranhou na terra.

Na ponta do rebento duas pequenas folhas brilhantes de cor castanha alaranjada cresciam. Com o calor ficaram de um verde viçoso.

À volta do rebento, a erva crescia cada vez mais.

O rebanho pastava no campo, mordiscando a erva. Depois, afastava-se.

As vacas devoravam a erva com as suas línguas enormes e as patas pesadas pisavam o chão. Depois, afastavam-se.

Escondido na erva, a pequena bolota crescia. E transformava-se numa jovem árvore. Passaram-se duas estações.

O sol brilhava… a chuva caía… o vento soprava… e a geada dançava. Em cada estação, rebentavam novas folhas na pequenina árvore. E o caule crescia e engrossava um pouco mais que no ano anterior. Na terra, a raiz ramificava e enterrava-se mais funda, tornando-se mais firme.

Uma bela primavera, uma ovelha mordeu a casca da pequena árvore e danificou-a.

Outra ovelha mordiscou as folhas e quebrou a haste. No entanto, ainda que fosse pequena e frágil, a árvore era resistente.

Uma nova casca nasceu no pequeno caule.

E dois novos rebentos brotaram na haste quebrada.

Naquele outono, o sol escondia-se frequentemente atrás das nuvens.

A chuva caía com abundância.

Certa noite, o vento uivava e soprava em rajadas, fustigando, sibilante, o bosque. De repente, feroz e zangado, rodopiou no ar e precipitou-se contra o velho carvalho com estrondo.

Ouviu-se um rangido. Algo se quebrara: com um movimento vigoroso, o vento arrancou as raízes apodrecidas do velho carvalho.

Groboum! E a árvore abateu-se sobre o solo.

Na manhã seguinte, o vento tinha acalmado.

Deixara de chover. E o sol brilhava ainda débil através da neblina. No campo, junto ao bosque, o velho carvalho estava agora por terra. O grosso tronco jazia de lado.

Por todo o lado havia ramos partidos.

Uma árvore pequena mas resistente - Contos InfantisOnde existira durante séculos um enorme carvalho, havia agora um buraco a descoberto.

Ao lado do buraco, as raízes arrancadas apontavam para o céu.

Escondido no campo, debaixo das folhas e dos ramos, encontrava-se o pequeno carvalho.

Vieram homens com trator e atrelado.

Cortaram os ramos e o tronco do velho carvalho.

Lançaram numa pilha os velhos ramos, os galhos mais finos e as raízes apodrecidas. As botas pesadas calcavam a terra à volta do pequeno carvalho.

Depois, os homens deitaram fogo à pilha da lenha podre.

Tudo o que restou da árvore imensa foi um monte de cinza branca.

Mas, no campo, o pequeno carvalho continuava vivo e crescia.

Com o passar dos anos, o pequeno carvalho tornou-se mais alto e mais largo.

E foi crescendo acima da erva e do rebanho, das vacas corpulentas que pastavam. Chegaram as aves que construíram os seus ninhos na junção dos ramos.

E centenas de lagartas banqueteavam-se com as folhas da jovem árvore.

Em cada primavera e em cada verão, o sol brilhava e a chuva caía. No outono, as bolotas caíam no chão.

Então, num certo outono, um gaio saiu do bosque.

Com o bico, apanhou uma bolota e enterrou-a no campo ali perto.

E assim permaneceu, escondida na terra, até à primavera seguinte…quando um pequeno rebento surgiu, que mais tarde se transformou numa pequena árvore robusta.

Helen Peacock

The strong little tree

London, Little Tiger, 2002

(Tradução e adaptação)

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