A última carta do Umbelino

A última carta do Umbelino - Contos Infantis

Já há muito tempo que não tinha carta do macaco Umbelino. E andava em cuidados.

Como vocês se lembram, o Umbelino é um macaco aventureiro, que, depois de muitas trocas e baldrocas, foi correr mundo, com a viola no saco. Sofreu uns contratempos – num sítio ouviu um senhor dizer: “Macacos me mordam” e ele mordeu mesmo… Noutro sítio ouviu contar que uma senhora tinha macaquinhos no sótão e ele foi procurá-los… Desgraças.

Pois acabo de receber mais uma carta do Umbelino, com notícias frescas. Calculem que se estabeleceu com uma loja de barbeiro, isto é de cabeleireiro. A história que ele tem para contar começou, há que tempos, numa barbearia, bem podia acabar noutra barbearia. Mas não acabou, como vão ver.

A escolha da nova profissão teve uma origem. De uma vez em que ele andava sem saber as voltas que dar à vida, alguém, por desfastio, lhe dissera:

– Vá pentear macacos.

E ele foi. “Umbelino, cabeleireiro de macacos”, lia-se em grandes letras, na portada do estabelecimento. Não tinha grande clientela. Por assim dizer, não tinha nenhuma. Os macacos não gostam de passar por macacos e as pessoas muito menos.

Mas, um dia, um sujeito com ar divertido passou pela loja, leu o letreiro, viu o Umbelino à porta, de bata branca, e desatou a rir-se. O macaco Umbelino estranhou a risota e perguntou ao senhor, com muito bons modos, o que se passava. O tal sujeito, entre risadas, só conseguiu responder:

– Um macaco cabeleireiro! Mas isso é o fim da macacada.

“O fim da macacada…”, ouviu distintamente o Umbelino. Muito aflito, despiu logo a bata, fechou a loja e desatou a correr. Se era o fim da macacada, o caso dizia-lhe respeito. Foge!

Nunca mais o viram na cidade. Conta-me ele, agora, que se refugiou na selva, disfarçado de Tarzan. É assim mesmo que ele assina, numa caligrafia muito macaca – Umbelino Tarzan, o rei dos macacos. Se os outros macacos da tribo consentem, quem sou eu para o contrariar? Mas aqui para nós: Umbelino Tarzan, rei dos macacos, macacos me mordam, mas é mesmo o fim da macacada…

António Torrado

Ilustrações: Cristina Malaquias

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.